Categoria Bioconstrução

Projeto de Norma para Adobe entrou em Consulta Nacional

01/nov/2019

PROJETO ABNT NBR 16814 – Adobe
Termino da consulta 16/12/2019

Diz Flávio Duarte, da BioHabitate: — “Nós participamos exaustivamente… além de muitos membros da Rede Terra Brasil que puxaram a fila e escreveram o texto base… sempre íamos para as reuniões em SP com a sensação de que a norma pode, sim, ampliar as possibilidades em escala e dificultar muito os produtores artesanais, devido a laudos e ensaios em laboratórios. Até o tamanho do tijolo de adobe foi sugerido para dar amarração na norma e nos ensaios de desempenho… Uma coisa louca normatizar algo que é super regional, a maneira de fazer… medidas… traços e etc… Depois de aprovada grande empresas crescerão o olho nesse mercado… aí um ponto bom de se associar para termos voz.

Para contornar esse desafio em normatizar soluções regionais e para contemplar variantes locais do processo de feitio dos adobes, alguns pontos como por ex., as dimensões e proporções entre os lados dos adobes, não foram DETERMINADOS pela norma e sim SUGERIDOS. Abrindo assim espaço para as regionalidades no feitio e construção com adobes.

Muitas coisas polêmicas como essas medidas ideais para adobes e tals foram pautadas… às vezes o processo é tão burocrático que a própria burocracia rouba a cena e a energia de debates profundos e reais… então a comissão de estudo teve um consenso de entender que tudo pode ser feito de maneiras diferentes… mas o desempenho deve ser no mínimo satisfatório.

O que determina esse desempenho são falhas posteriores e/ou ensaios de laboratório para determinar resistências… Porém se não tiverem um incentivo, os pequenos produtores não conseguirão esses laudos….

Apesar de tudo, vejo a normatização como um grande salto e sociabilização das técnicas que são já consagradas por milênios.

A primeira fase da norma foi uma pesquisa de normas em outros países… Porém as normas são diversas também… umas muito específicas e outras bem mais com cara de manual de construção do que propriamente uma norma.”

Se quiser colaborar nesse processo:
👉 Basta fazer um breve cadastro no site e votar.
www.abntonline.com.br/consultanacional

Caminho no site: 👉 Pesquisa por Comitê 👉 ABNT/CB-002 Construção Civil (1) 👉 PROJETO ABNT NBR 16814 – Adobe – Requisitos e métodos de ensaio.

Biohabitate

Flávio Duarte
Arquiteto e Bioconstrutor
www.biohabitate.com.br

Forno Tradicional de Barro

06/out/2019

Em 1982 fui viver em Ouro Preto, MG. E por um desses acasos do destino vim a ser vizinho de uma antiga padaria, no bairro de Antônio Dias, famosa por vender pão na porta de trás aos estudantes e boêmios, nas madrugadas frias. Assei muitos pães integrais no forno dessa padaria e aprendi muito conversando com as pessoas que se reuniam em torno dele. Tinha 6 metros de diâmetro, duas fornalhas.

Em 1988 fiz meu primeiro forno, adaptando esse conhecimento às necessidades de um novo trabalho que se apresentava, no Penêdo, Itatiaia, RJ. Durante três anos assei pães e biscoitos integrais e naturais nele, diariamente, abastecendo os empórios e lojas naturalistas do Rio.

São fornos que acompanham a humanidade desde o início da civilização. Podemos imaginar que surgiram como buracos no chão, ou em barrancos, e na medida em que as técnicas construtivas evoluíam novos materiais e desenhos surgiram. Porém basicamente ele não mudou até hoje, onde continua a ser usado em lugares afastados, ou por culturas tradicionais. É uma câmara em forma de abóbada, ou meio cilindro, construída com tijolos maciços, adobe ou barro, que possui uma abertura, e onde se faz o fogo, aquecendo até branquear, e onde mais tarde se assam alimentos usando o calor que foi armazenado na estrutura.

Sua principal virtude é ser construído com materiais disponíveis na natureza, não industrializados. Em qualquer lugar e em quaisquer circunstâncias, pode ser edificado e usado por qualquer um.

Ao longo dos anos foram desenvolvidas técnicas mais sofisticadas de construção, até o início do século XX, quando tecnologias industriais o substituíram comercialmente.

Vista de cima do começo da abóboda.
Fechamento
Três pontos de captação da fumaça na câmara, reunidos em uma só chaminé central.
Base da chaminé com abertura para limpeza (embaixo), corte para inserir o registro e abertura eliminadora de sucção (aberta após o fechamento total do forno).
Espaço com forno no Sítio Germinal

Em breve vamos ter uma oficina no Sítio Germinal, quando aprenderemos a usar um forno desse tipo, assando pães e pizzas. Além de aprender uma receita de pão integral, todo o processo é um resgate cultural e uma experiência ancestral, lúdica. Crianças e adultos podem participar.

Em breve também haverá um curso ensinando a construir um forno como esse. Cadastre seu e-mail aqui no Sertão do Peri pra receber uma mensagem quando isso estiver acontecendo.