A Educação Ambiental

A Educação Ambiental

21/ago/2019

Ana Maria Primavesi

O que educar? Antes de tudo, necessita-se recuperar o ser humano que atualmente somente é um “recurso humano” na produção de lucros. Ao ensino, ao treino da pessoa em alguma técnica, precisa-se juntar à educação a formação do homem em toda sua dignidade. Sem amor à sua pátria, à sua terra, dificilmente haverá o desejo de mantê-la intacta, de protegê-la da destruição. Com uma visão puramente materialista e imediatista, uma geladeira quebrada lhe interessa muito mais do que um rio seco. Ao lado do crescimento econômico, que atualmente não beneficia a comunidade como um inteiro com toda a sua destruição e poluição, devem-se ensinar tradições.

A base da compreensão do Ambiente é sua visão holística. Somente assim se enxergará também as consequências e o preço que pagamos.

A pedagogia ambiental não é uma pedagogia escolar mas sim de todos os ambientes da Terra. É impregnar os indivíduos de valores e não corromper-se por dinheiro e deixar o ambiente se deteriorar. Amar a sua pátria, a sua terra, tendo o sentimento de proteger seu meio ambiente e não só explorá-lo, é ser cidadão. A sociedade toda precisa ser envolvida e estar possuída deste sentimento. O atual estilo de vida precisa ser repensado e urgentemente mudado. O simples consumismo não dará continuidade à vida futura. Deverá haver decisiva mudança de mentalidades e atitudes em direção da sustentabilidade econômica. Urge uma conscientização planetária.

A natureza tem um único objetivo: garantir a continuação da vida. Mas antes de mudar a tecnologia, há de se mudar o homem. Uma vez resgatado em todos os seus valores, abre-se um caminho para uma civilização muito mais elevada do que a atual.

Ecosfera-tecnosfera-agricultura não devem entrar em choque mas podem e devem harmonizar-se para poderem continuar a proporcionar vida ao ser humano. Somente o lucro e o crescimento econômico não sustentam a vida. Necessita-se de alimentos, ar e água. A tecnosfera não impede a fome, o aumento explosivo da miséria e a crise econômica.

A pedagogia do futuro precisa integrar as ciências para se chegar ao desenvolvimento sustentável. Somente ações integradas combatem a destruição do planeta e consequentemente a vida.

Precisa-se uma reorientação dos currículos. Formar pessoas com consciência da realidade. Começar pelos jovens adultos para poderem ensinar e incutir aos pequenos desde cedo.

Não deve ficar só nos estudos dos problemas do lixo, reciclagem, poluição dos rios como o Tietê em São Paulo e do ar, a urbanização e seus problemas de água, as enchentes. A questão é muito mais grave e séria. A nossa sobrevivência é que está correndo perigo!

Ressignifiquem o aprender. Por exemplo: o plástico leva mais de 150 anos para se degradar (ou mais) na natureza. Isso é bom ou ruim? Muitos vão dizer que é ruim, mas são 150 anos que não preciso esgotar um recurso finito que é o petróleo. Então o que está errado não é ter o plástico em si, mas como nos desfazemos dele, sem o utilizar plenamente em seu tempo de vida.

Também a vida do solo deve ser ensinada e aprofundada. Professores, estudem e ajudem seus alunos a valorizar o que de mais importante temos, nossa terra. Dela depende tudo: o ar, a água, as plantas e os animais. Por que as escolas focam em conteúdos que as crianças nunca usarão em suas vidas e deixa de ensinar o essencial, que é a vida na e da terra? Talvez poucos a conheçam justamente porque não foram ensinados. Do solo aprende-se a química, a biologia, a ecologia, a hidrografia, a pedologia, a climatologia, a oceanografia, a física, a matemática e outros… Até tintas com as cores de solo as aulas de artes podem fazer! Isso sem considerar as artes com as folhas secas, os potes de barro, os fios de algodão, e tudo que a natureza nos proporciona.

Nossa educação carece ainda de muita consciência mas agora parece não termos mais tanto tempo para esperar.

Ana Maria Primavesi
publicado em www.facebook.com/anamariaprimavesi/posts/4713005758734511

Publicado por: João Guilherme

Deixe uma resposta